Avaliação da concentração média de hemoglobina corpuscular (CMHC) e do hematócrito (HCT): estudo observacional em amostras de sangue processadas rotineiramente utilizando diferentes métodos analíticos.

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Paulo Silva, Tânia Cardoso, Armindo Gonçalves, Anália Carmo, Nuno Silva
Departamento de Patologia Clínica, ULS-Coimbra, Coimbra, Portugal

Introdução

A concentração média de hemoglobina corpuscular (CMHC) é um valor calculado que depende do volume corpuscular médio (VCM), da contagem de glóbulos vermelhos (GV), da hemoglobina (Hb) e do hematócrito (HCT). Em analisadores hematológicos automatizados, diferentes métodos foram desenvolvidos para determinar o hematócrito, o que contribui para as diferenças na CMHC. O objetivo deste estudo foi realizar um estudo randomizado não controlado para compreender o impacto das diferentes tecnologias de analisadores hematológicos automatizados na determinação da CMHC e do HCT, quando comparadas ao método padrão-ouro.

 

Métodos

Foram analisadas 176 amostras de sangue em dois analisadores hematológicos automatizados: Sysmex-XN e HORIBA Yumizen H2500(YH). Paralelamente, o hematócrito foi determinado pelo método padrão ouro, baseado na utilização de capilar e centrifugação. Os resultados foram agrupados de acordo com o valor da CHCM (Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média) determinado no Sysmex: baixo < 32 ≤ normal < 35 ≤ limítrofe < 36,5 ≤ alto. As correlações e a variabilidade dos parâmetros responsáveis pela estimativa da CHCM foram avaliadas estatisticamente.

 

Resultados

Considerando os resultados do Sysmex, houve 26 amostras com CHCM baixo, 36 com valor normal, 52 com valor limítrofe e 62 com CHCM alto. Houve boa correlação entre o Sysmex e HORIBA Yumizen na determinação de hemácias e hemoglobina. A análise mostrou que as amostras com valor elevado de CHCM no Sysmex apresentaram subestimação do hematócrito. De fato, considerando o grupo com CHCM alto, no Sysmex o valor médio de CHCM foi de 37,1 ± 0,06 g/dL e o de hematócrito de 34,2 ± 0,06%, enquanto no HORIBA Yumizen o CHCM foi de 33,8 ± 0,09 g/dL e o de hematócrito de 33,8 ± 0,09%. A utilização do valor de HCT determinado pelo método padrão ouro (37,88±1,1%) mostrou que o MCHC foi de 33,38±0,14 g/dL no Sysmex e de 33,28±0,15 g/dL no HORIBA Yumizen. Por outro lado, um comportamento semelhante foi observado com HORIBA Yumizen, mas para amostras do grupo com baixo MCHC, sem grande relevância clínica (diferença de 0,91 no HCT do grupo com baixo MCHC).

Figura_1

Figura 1: Correlação entre hemoglobina (Hb) e glóbulos vermelhos (RBC).
Correlação entre hemoglobina e hemácias
Boa correlação dos parâmetros de hemácias e hemoglobina em ambos os instrumentos.

Figura 2

Figura 2: Correlação do hematócrito (HCT)
Correlação do HCT de ambos os instrumentos
O Sysmex XN está ligeiramente subcalibrado, os pontos estão abaixo da inclinação desejada. Os pontos HORIBA Yumizen H estão bem dispersos e correlacionam-se com o método micro-HCT.

Figura 3

Figura 3: Distribuição de MCHC de todas as amostras
O valor médio de MCHC é maior no Sysmex XN, enquanto a precisão é semelhante quando comparada ao HORIBA Yumizen H2500.

Conclusão

Os dados analisados mostraram que houve uma subestimação do hematócrito (HCT) como fonte de erro no cálculo do CHCM, no analisador hematológico Sysmex XN.
Essa ocorrência foi mais evidente em valores limítrofes e altos de MCHC no Sysmex XN, enquanto o impacto foi menos significativo observado no HORIBA Yumizen H2500 para o grupo com valores baixos de MCHC.

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