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Edição 2 - Fevereiro de 2025

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Estudo de Caso - Esferocitose Hereditária: Uma visão geral das características clínicas, achados laboratoriais e tratamento.

Introdução

A esferocitose hereditária (EH) é um grupo heterogêneo de doenças caracterizadas pela presença de esferócitos. As manifestações clínicas podem incluir anemia, icterícia, reticulocitose e esplenomegalia.

Apresentação Clínica

Mulher (45 anos)

FBC
WBC 5,5 (10^3/mm3)MCV 91 (fL)
RBC 3,37 (10^6/mm3)MCH 31.2 (pág.)
HGB 10,5 (g/dL)MCHC 34,4 (g/dL)
HCT 30,5 (%)PLT 183 (10^3/mm3)

Setas azuis indicando células esferócitas

Esferocitose Hereditária (EH)

A esferocitose hereditária (EH) foi descrita pela primeira vez em 1871 e a primeira esplenectomia registrada foi realizada logo em seguida. A EH apresenta uma ampla gama de características em relação à gravidade, modo de herança e causa real do defeito proteico. É uma doença relativamente comum, com incidência no norte da Europa e na América do Norte entre 1 em 2.000 e 1 em 5.000 (dependendo do método de análise). Os pacientes afetados apresentam graus variáveis de anemia, icterícia, reticulocitose e esplenomegalia, com a gravidade clínica variando de assintomática (portador) a hemólise grave. A exacerbação da gravidade clínica pode ser causada por doenças como a mononucleose infecciosa. A maioria (75%) dos casos apresenta histórico familiar, mesmo que a EH não tenha sido formalmente diagnosticada, por exemplo, anemia, esplenectomia, cálculos biliares, icterícia. O diagnóstico de esferocitose hereditária (EH) pode ser feito desde o nascimento até pessoas com 80 ou 90 anos, sendo que, às vezes, o diagnóstico é feito por acaso. Os portadores de EH podem não apresentar anemia, icterícia ou esplenomegalia, e não se observam esferócitos no esfregaço sanguíneo.

Morfologia dos glóbulos vermelhos

As hemácias normais são discos bicôncavos com uma grande relação superfície/volume e não possuem núcleo, o que lhes permite conter quantidades relativamente grandes de hemoglobina. As hemácias precisam ser flexíveis para se deslocarem pelos minúsculos capilares, absorvendo e liberando oxigênio onde necessário. Uma alteração no citoesqueleto pode afetar profundamente a flexibilidade e a vida útil da hemácia. A integridade da membrana eritrocitária depende de diversas proteínas, sendo a espectrina uma das principais contribuintes. A morfologia anormal das hemácias observada na esferocitose hereditária (EH) deve-se a uma mutação genética específica que leva à deficiência ou disfunção da espectrina, anquirina, proteína banda 3 e/ou proteína 4.2.

Os glóbulos vermelhos esferocíticos são removidos da circulação pelo baço, resultando em esplenomegalia e aumento da bilirrubina.

Diagnóstico

Os esferócitos podem ser distinguidos dos glóbulos vermelhos normais pela cor densa e uniforme do citoplasma e podem ser menores do que os de um glóbulo vermelho normal.

Conforme descrito acima, o quadro clínico da esferocitose hereditária é variado, mas se forem observados esferócitos no esfregaço sanguíneo, deve-se realizar um teste de antiglobulina direta para excluir auto-hemólise. Também deve ser realizada uma contagem de reticulócitos para confirmar o grau de produção excessiva de glóbulos vermelhos.

O histórico familiar é essencial para o diagnóstico correto da hidradenite supurativa (HS), sendo importante observar se algum membro da família foi submetido a esplenectomia sem motivo aparente ou se apresenta problemas na vesícula biliar.

Outros testes, como o de Fragilidade Osmótica, o Tempo de Lise com Glicerol Acidificado (AGLT) e o teste rosa (um AGLT modificado), baseiam-se no fato de que as esferócitos são mais propensos à lise do que os eritrócitos normais.

 

Características do laboratório:

  • Hemoglobina – Baixa
  • VCM – Ligeiramente diminuído devido à perda de membrana e desidratação celular.
  • MCHC – Aumentado devido à leve desidratação celular.
  • Reticulocitose
  • Aumento da bilirrubina sérica

Gestão de Doenças

A terapia com ácido fólico é recomendada para crianças com hidradenite supurativa moderada a grave. O paciente deve ser acompanhado regularmente, principalmente aqueles com a forma moderada a grave da doença, pois a esplenectomia pode ser necessária.

Questionário

Veja abaixo 3 gráficos de Levey-Jenning (LJ) de um analisador de hemograma completo. A amplitude é de ± 3 desvios padrão (linhas vermelhas).

Qual deles apresenta um viés positivo?

 

A resposta será publicada na próxima newsletter Heme Insights e em nossas redes sociais (LinkedIn / Facebook / X).


 

Resposta do Quiz da Edição Anterior

Observe este slide. Você consegue identificar a célula? Quais seriam os possíveis achados clínicos deste paciente? Escolha uma das opções: A) Mononucleose infecciosa; B) Sem alterações; C) Talassemia.

Resposta: Célula alvo, C) Talassemia

As células-alvo são glóbulos vermelhos que apresentam a aparência de um alvo de tiro com um centro visível. Em microscopia óptica, essas células parecem ter um centro escuro (uma área central hemoglobinizada) circundado por um anel branco (uma área de relativa palidez). Os sintomas clínicos podem incluir anemia com redução do VCM (Volume Corpuscular Médio).

Bibliografia

 

Equipe Editorial

Kelly Duffy, Andrew Fisher, HORIBA UK Limited

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